O transporte de cargas no modal aéreo receberá reforço no Estado a partir do dia 22, quando a Absa Cargo Airline iniciará uma nova rota ligando São Paulo, Recife e Fortaleza. A entrada da companhia no mercado de logística cearense ajudará no escoamento da produção local nesse tipo de transporte, no qual existem muitos gargalos, como a carência de aviões cargueiros e, consequentemente, o envio de produção em aeronaves mistas (transporte de passageiros e de cargas), em lotes menores. "Detectamos uma oportunidade única de entrada no Nordeste, levando em conta que o transporte de cargas era atendido por voos de passageiros que transportam carga no porão, além da demanda mais forte do segmento e de indicadores macroeconômicos que atesta a potencialidade da região", explica Alexandre Silva, gerente de vendas da companhia.
Para o carregamento, a Absa utilizará um Boeing 767-300F, com capacidade para levar até 57 toneladas. Apesar de a aeronave estar preparada para o transporte de todos os tipos de cargas, de acordo com Silva, o foco da Absa no Ceará será principalmente carregamentos de têxteis, cosméticos, frutas, pescados e couro; que deverão ser encaminhados para o Sudeste brasileiro e até para outros continentes, como Europa, Ásia e Oceania, além de toda a América. "Grande parte dos perecíveis descem do Nordeste para o Sudeste, para então ir para o exterior. Quando você compra uvas produzidas no Cariri em uma butique de frutas em Paris, a fruta já chega com uma vida curta, pois ficou muito tempo em um caminhão, sendo levada para o Sudeste. A partir da opção de modal aéreo, movimentando essa carga para São Paulo e conectando-a imediatamente com os Estados Unidos e Europa, você ganha pelo menos mais quatro dias na gôndola do mercado", afirma Alexandre.
Os voos vão ocorrer em todos os dias comerciais para carga, ou seja, de terça-feira a sábado. A aeronave chegará de São Paulo sempre às 9h35min e só decola para a capital paulista às 23h, podendo coletar a produção industrial do dia.
"A aeronave ficará boa parte do dia em Fortaleza, esperando a produção das indústrias locais. Então, uma fruta que for condicionada às 16h no aeroporto vai estar na gôndola de um supermercado em São Paulo às 8h30min do dia seguinte", completa o gerente de vendas.
Nos três primeiros meses de operação, a expectativa da companhia é de que a aeronave decole do Estado com pelo menos 70% da capacidade preenchida. A partir desse período, após prospectar indústrias que utilizam os modais marítimos e viários, a ideia é que as cargas preencham 100% do espaço. Para as operações da Absa em Fortaleza, devem ser gerados cerca de 40 postos de trabalho, além de 25 empregos indiretos, em sinergia com a operação de outras companhias aéreas.
A empresa não revela o investimento para a criação da nova rota, entretanto afirma que "está dedicando para essa operação uma aeronave com um valor de mercado de US$ 80 milhões". Esse será o segundo trecho operado pela companhia no País, que apesar de brasileira, trabalhava apenas com o transporte para outros países.
Há mais de um ano, a Absa também liga as cidades de São Paulo e Manaus. "Ao longo dos últimos dois anos, vínhamos estudando o mercado doméstico e constatamos que o de carga aérea estava bastante aquecido, mas mal atendido. Então, começamos a operar o trecho Guarulhos - Manaus", detalha Silva.
Fonte: Diário do Nordeste - CE
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